Família de vítima de feminicídio em Campinas luta por pensão após oito meses sem auxílio
Quatro filhos de Larissa dos Santos da Silva, morta a tiros pelo companheiro em setembro de 2025, seguem sem receber pensão por morte ou benefício especial para órfãos de vítimas de feminicídio. A avó, Mariza dos Santos, assumiu a guarda dos netos, mas enfrenta dificuldades financeiras e burocráticas para acessar os direitos.
Erro burocrático impede acesso à pensão
Mariza dos Santos, avó das crianças, assumiu a guarda dos quatro netos, com idades entre 4 e 15 anos, após o assassinato da filha. Desempregada, ela depende de doações para sustentar a família. O processo para obtenção da pensão por morte está travado devido a um erro no documento emitido pela empresa onde Larissa trabalhava. A data de admissão foi registrada como 22 de outubro de 2025, um mês após sua morte. A advogada da família afirma que o valor devido seria de cerca de R$ 6 mil, mas a empresa ofereceu apenas R$ 1 mil na rescisão. O Burger King informou que realizou ajustes no eSocial e que o processo está sob responsabilidade do INSS.
Benefício especial ainda não regulamentado
Além da pensão por morte, a família aguarda a regulamentação da pensão especial para órfãos de vítimas de feminicídio, criada em 2023. O benefício, no entanto, ainda não foi normatizado pelo INSS, deixando as crianças sem acesso a qualquer auxílio financeiro. Mariza dos Santos relata a dificuldade de conciliar o cuidado dos netos com a busca por direitos: 'Está muito difícil, eu não tenho renda, não trabalho desde o dia 20 de setembro, vivendo de ajuda'.