IA projeta genoma completo de vírus funcionais pela primeira vez; estudo reacende debate sobre biossegurança
Pesquisadores da Universidade Stanford e do Arc Institute, nos EUA, utilizaram inteligência artificial para projetar o genoma completo de vírus bacteriófagos funcionais. Publicado na revista Science, o estudo demonstra que os vírus criados pela IA eliminaram bactérias E. coli resistentes a fagos naturais, mas reacende preocupações sobre biossegurança.
Detalhes da pesquisa e metodologia
O estudo, publicado em 6 de agosto de 2026 na revista Science, utilizou um sistema de IA chamado Evo, que funciona de maneira similar a modelos de linguagem como o ChatGPT. Em vez de prever palavras, o Evo aprendeu a prever sequências de DNA (bases A, C, G e T) para projetar genomas de vírus bacteriófagos. Os modelos Evo1 e Evo2 foram treinados com dados genéticos de vírus, bactérias, plantas e seres humanos, sendo posteriormente refinados para focar em bacteriófagos, com base em informações de cerca de 2 milhões desses vírus. Os vírus criados não representam risco para humanos, pois infectam exclusivamente bactérias.
Resultados e implicações
Em testes de laboratório, um coquetel dos vírus projetados pela IA conseguiu eliminar bactérias E. coli que haviam desenvolvido resistência a vírus naturais, algo que coquetéis de fagos convencionais não haviam alcançado. Embora a pesquisa não tenha envolvido a criação de vírus humanos ou patógenos perigosos, o avanço reacendeu debates sobre biossegurança, uma vez que a mesma técnica poderia, teoricamente, ser adaptada para fins mais arriscados no futuro.