Escritora detalha processo de cura por meio da escrita após trauma de violência sexual e quase morte
Autora relata ter sido vítima de agressão sexual e tentativa de homicídio em 2015, resultando em danos cerebrais irreversíveis. Após semanas de internação, ela usou a escrita como ferramenta de recuperação física e emocional, enfrentando limitações motoras e cognitivas.
O ataque e as sequelas
Em 4 de junho de 2015, a autora foi sexualmente agredida e quase morta em sua própria casa. Ela acordou dois dias depois em um hospital, sem memória do ocorrido, com diagnóstico de *anoxia encefálica* — falta de oxigênio no cérebro causada por asfixia. As lesões afetaram áreas como gânglios da base, núcleos caudados, córtex parietal e lobo frontal, comprometendo funções motoras e cognitivas. Durante semanas de internação, ela enfrentou dificuldades para controlar movimentos básicos, como levar as mãos ao rosto, e teve a fala prejudicada, produzindo palavras distorcidas como 'traumerized' e 'comprensible'.
A escrita como ferramenta de reconstrução
Após a alta hospitalar, a autora descreve a escrita como um meio de 'reaprender' a si mesma. Embora tenha recuperado parte das habilidades físicas, relatou episódios de perda de coordenação (como deixar cair objetos) e pensamentos que 'voltavam' a situações cotidianas sem motivo aparente. A narrativa do trauma, inicialmente fragmentada, tornou-se um processo de organização do caos interno, ajudando-a a lidar com a ausência de memórias concretas do ataque. A frase repetida pelos médicos — 'Alguém invadiu sua casa e atacou você' — marcou sua percepção do evento, mesmo sem lembranças visuais ou sensoriais.