Sítio arqueológico no interior de SP preserva 12 mil peças de povos originários com mais de mil anos
Museu arqueológico em Presidente Epitácio (SP) abriga acervo com 12 mil artefatos de comunidades indígenas da tradição tupi-guarani, incluindo cerâmicas, urnas funerárias e um machado em formato de meia-lua. O local, um dos 41 sítios registrados na região, revela hábitos de grupos agricultores-coletores que habitaram a área há mais de mil anos e destaca técnicas de decoração plástica e escovada.
Acervo histórico e técnicas indígenas
O Sítio Arqueológico Lagoa São Paulo II, localizado em Presidente Epitácio (SP), preserva cerca de 12 mil peças de povos originários, com destaque para artefatos da tradição tupi-guarani. Entre os itens catalogados estão fragmentos de cerâmica, vasos e urnas funerárias, além de um machado em formato de meia-lua, encontrado pelo geógrafo Jean Ítalo Cabrera. O acervo totaliza mais de 25 mil peças, que passam por processos de limpeza e medição antes de serem registradas. Cabrera explica que os tupi-guaranis utilizavam duas técnicas principais de decoração: a plástica, aplicada diretamente no bojo dos artefatos, e a escovada, possivelmente aprendida com os jesuítas.
Hábitos e ocupação da região
O sítio arqueológico revela que a área foi habitada por três populações indígenas distintas, atraídas pela abundância de caça e condições favoráveis para agricultura. Segundo Cabrera, os grupos seguiam rotas de caça e, ao identificarem o potencial do solo para cultivo, estabeleceram-se na região por longos períodos. A presença de artefatos cerâmicos e ferramentas indica que os povos originários exploravam recursos naturais e desenvolviam técnicas adaptadas ao ambiente, consolidando a importância histórica do local para o estudo das culturas pré-coloniais no Brasil.