Netflix reporta queda de 9% nas ações após previsões de lucro abaixo do esperado
A Netflix viu suas ações caírem 9% na sexta-feira, após uma previsão de lucro para o primeiro trimestre que ficou aquém das expectativas do mercado. Apesar de um crescimento de 82% no lucro e 16% na receita, impulsionado por aumentos de preços, receita de anúncios e crescimento de assinantes, a empresa manteve sua orientação de receita anual, o que decepcionou investidores que esperavam um aumento após a desistência do acordo com a Warner Bros. Discovery.
Desempenho Financeiro e Perspectivas de Crescimento
No primeiro trimestre, o lucro da Netflix cresceu 82% para US$ 5,23 bilhões (US$ 1,23 por ação), impulsionado em parte por uma taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões da desistência do acordo com a Warner Bros. Discovery. A receita aumentou 16% para US$ 12,3 bilhões, com contribuições de preços mais altos, receita de anúncios e crescimento de assinantes. A empresa, que não divulga mais o número de assinantes trimestralmente, informou anteriormente um total de 325 milhões de usuários globais. Apesar de as vendas e margens do primeiro trimestre terem superado as previsões, analistas como Matthew Dolgin, da MorningStar Research, expressaram preocupação, pois o mercado esperava um aumento na orientação de receita para o ano inteiro. A Netflix manteve sua projeção de receita para 2026 entre US$ 50,7 bilhões e US$ 51,7 bilhões, com uma margem operacional de 31,5%. Dolgin ressaltou que as ações estavam precificadas para um crescimento anual de vendas de dois dígitos médios, e a perspectiva de crescimento orgânico de 11%-13% para 2026 é aceitável, mas a aceleração do crescimento em 2027 parece menos provável, pois a geração de mais receita por usuário deve ser o principal motor de crescimento, dado o mercado de assinantes já saturado nos EUA e em países internacionais de alto preço.
Estratégia de Receita e Negócios de Anúncios
Além dos aumentos de preço, a Netflix planeja escalar seu negócio de anúncios, que está a caminho de atingir US$ 3 bilhões em 2026. Segundo Doug Anmuth, analista do JP Morgan, para atingir essa meta, a receita de anúncios precisará representar aproximadamente 6% da receita total. A firma projeta que essa participação aumente para mais de 10% até 2027 ou 2028, através do crescimento contínuo da base de anunciantes e melhorias em segmentação e medição.