Zoológico de Montezuma: Descobertas recentes revelam papel sagrado e político dos animais na civilização mexica
Pesquisas arqueológicas recentes detalham o vivário de Montezuma II em Tenochtitlán, um espaço que ia além de um simples zoológico. Os animais, trazidos de todo o império mexica, eram símbolos de poder, mitos de criação e conexão com o divino, segundo evidências científicas atualizadas. O local, descrito por Hernán Cortés há 500 anos, agora é compreendido como um centro de significado religioso e político.
Estrutura e diversidade do vivário
Localizado no centro da antiga Tenochtitlán, onde hoje é a Cidade do México, o vivário de Montezuma II abrigava uma ampla variedade de espécies. Segundo registros históricos e estudos arqueológicos, o espaço contava com cerca de dez tanques de pedra vulcânica, alguns com água doce e outros com água salgada, onde viviam peixes e aves aquáticas. Recintos separados abrigavam desde rãs e serpentes até grandes predadores como jaguares, lobos e pumas. Além disso, havia viveiros com aves não nativas da região, como águias-reais, harpias, araras e quetzais, trazidas de diferentes partes do império mexica. Centenas de servidores eram responsáveis pela manutenção e cuidado dos animais.
Significado religioso e político
Para os mexicas, os animais não eram apenas símbolos de poder e força, mas também elementos centrais em seus mitos de criação e compreensão do universo. O arqueólogo Israel Elizalde Méndez destaca que os animais permitiam aos mexicas entender o mundo e sua própria origem. 'Alguns desses mitos explicavam a própria origem desses animais', afirmou. Além disso, os animais eram associados a atributos como coragem e poderes mágicos, reforçando a autoridade do imperador e da elite sacerdotal. O vivário, portanto, funcionava como um microcosmo do império, refletindo a diversidade e a complexidade da cosmologia mexica.