Amado Batista e BYD incluídos na 'Lista Suja' de trabalho análogo à escravidão
O cantor Amado Batista e a montadora de carros elétricos BYD foram adicionados à atualização da 'lista suja' do trabalho escravo pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A lista atualizada inclui 169 novos empregadores, resultando no resgate de 2.247 trabalhadores em condições de exploração.
Inclusão na 'Lista Suja'
O governo federal atualizou a 'lista suja' nesta segunda-feira (6), divulgando nomes de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. Foram adicionados 169 novos empregadores, sendo 102 pessoas físicas e 67 empresas. Entre os novos nomes estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD. As atividades econômicas com mais empregadores incluídos foram Serviços Domésticos (23), Criação de bovinos para corte (18) e Cultivo de café (12).
Caso Amado Batista
O advogado de Amado Batista, Mauricio Carvalho, informou que não houve resgate de trabalhadores e que as irregularidades apontadas em duas propriedades do cantor em Goianápolis (GO) foram corrigidas. Segundo o MTE, 14 funcionários teriam sido submetidos a condições análogas à escravidão em 2024. O advogado explicou que irregularidades na contratação de quatro colaboradores terceirizados para abertura de área de plantio foram tratadas por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT). As correções na moradia e áreas de convivência do Sítio Esperança também foram realizadas.
Caso BYD
A montadora chinesa BYD foi incluída na lista após o resgate de 220 trabalhadores chineses em dezembro de 2024, contratados para a construção de sua fábrica em Camaçari (BA). Os funcionários foram encontrados em alojamentos precários, sem higiene, e vigiados por seguranças armados. Passaportes foram retidos e contratos continham cláusulas ilegais, com jornadas exaustivas e ausência de descanso. O MPT-BA apontou que os trabalhadores entraram no país de forma irregular. A BYD informou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades e encerrou o contrato, realocando parte dos trabalhadores para hotéis. No fim de 2025, a BYD firmou um acordo de R$ 40 milhões com o MPT-BA e duas empreiteiras.
Atualização da Lista e Impacto
A lista suja é divulgada semestralmente pelo Ministério do Trabalho para dar visibilidade às ações de combate ao trabalho escravo. Os novos casos incluídos nesta atualização ocorreram entre 2020 e 2025, em 22 unidades da federação. Minas Gerais (35) e São Paulo (20) foram os estados com maior número de empregadores incluídos. A atualização também removeu 225 empregadores que completaram dois anos de inclusão no cadastro.