Estudo revela diferenças cerebrais entre cupins machos e fêmeas pela primeira vez
Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) identificou que cupins machos da espécie Syntermes dirus possuem o complexo central do cérebro mais desenvolvido do que as fêmeas, refletindo suas funções distintas na colônia. Enquanto os machos saem para forragear à noite, as fêmeas permanecem dentro do ninho, o que influencia a estrutura cerebral de cada sexo.
Diferenças cerebrais ligadas ao comportamento
O biólogo Iago Bueno da Silva, em pesquisa de pós-doutorado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, monitorou colônias de cupins Syntermes dirus em áreas de mata do campus da universidade. Durante semanas, ele observou que os machos dessa espécie deixam o ninho à noite para buscar fragmentos de folhas, enfrentando predadores, variações de temperatura e terrenos desconhecidos. Por serem cegos, eles dependem de vibrações e do olfato para se orientar, utilizando as antenas para detectar sinais químicos no ambiente. Os resultados, publicados na revista iScience, mostraram que a região do cérebro chamada complexo central — associada ao processamento de informações espaciais e navegação — é proporcionalmente maior nos machos. Essa diferença está diretamente ligada às suas atividades fora da colônia. Já as fêmeas, que permanecem dentro do ninho, apresentam essa estrutura neural menos desenvolvida, refletindo suas funções internas na colônia.
Importância ecológica e lacunas na ciência
Os cupins Syntermes dirus são considerados engenheiros do ecossistema, desempenhando papel crucial na reciclagem de matéria orgânica e na modificação do solo. Apesar de sua importância, ainda são pouco estudados pela ciência. Essa espécie é encontrada em regiões de Cerrado e Mata Atlântica no Brasil, mas a relação entre comportamento e estrutura cerebral em cupins era uma lacuna até então. Diferentemente de abelhas, formigas e vespas, que possuem castas com apenas um sexo, os cupins apresentam representantes de ambos os sexos em cada casta, o que torna seu estudo mais complexo.