Pernambuco retoma monitoramento de tubarões com microchips após 11 anos e dois ataques recentes
Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) retomam projeto de monitoramento de tubarões no litoral pernambucano após 11 anos de paralisação. A iniciativa, com investimento de R$ 1,052 milhão para dois anos, visa rastrear 60 tubarões com microchips para entender seus padrões de deslocamento e fundamentar políticas públicas de prevenção a ataques. O projeto é retomado após dois ataques em menos de 48 horas no Grande Recife, que deixaram uma criança de 11 anos e uma jovem de 19 anos internadas.
Contexto e retomada do projeto
O monitoramento de tubarões no litoral pernambucano, paralisado há 11 anos, será retomado por pesquisadores do Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O projeto, denominado Ecotuba, foi selecionado após edital lançado em janeiro de 2026 e prevê um investimento de R$ 1,052 milhão para dois anos de pesquisa. O valor é quase metade do orçamento anual aplicado na década passada, que girava em torno de R$ 1 milhão por ano. O termo de outorga para o início dos trabalhos foi assinado em 1º de junho, e as expedições de monitoramento devem começar em julho.
Objetivos e metodologia
O coordenador do projeto, Paulo Oliveira, destacou que a iniciativa busca preencher uma lacuna de mais de uma década sem monitoramento e educação ambiental focada em tubarões. Serão instalados 15 receptores ao longo da costa para captar sinais dos transmissores implantados em 60 tubarões. O objetivo é entender como os animais se deslocam na região, especialmente durante o inverno, e responder perguntas como: "O tubarão-cabeça-chata se aproxima mais da costa nesse período? Os tubarões-tigre estão passando mais tempo na nossa região?" As respostas fundamentarão políticas públicas para prevenir ataques.
Ataques recentes e urgência do monitoramento
A retomada do projeto ocorre após dois ataques de tubarão registrados em menos de 48 horas no Grande Recife. As vítimas foram uma criança de 11 anos, atacada na praia de Piedade, e uma jovem de 19 anos, atacada em Boa Viagem. Ambos permanecem internados no Hospital da Restauração, na área central do Recife. Os incidentes reforçaram a necessidade de retomar o monitoramento para mapear o comportamento dos tubarões e reduzir riscos para banhistas.