Bolívia enfrenta onda de protestos e bloqueios contra medidas neoliberais do governo Rodrigo Paz
A Central Operária Boliviana (COB) e movimentos sociais mantêm 80 bloqueios de estradas em seis departamentos do país, exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz e rejeitando políticas neoliberais. A escassez de alimentos e combustível agrava a crise, enquanto a Assembleia Legislativa, controlada pela direita, autoriza o uso das Forças Armadas para reprimir protestos.
Protestos e bloqueios se intensificam
Organizações operárias e movimentos sociais, liderados pela Central Operária Boliviana (COB), continuam protestos e bloqueios em diversas regiões da Bolívia desde segunda-feira (01/06). Os manifestantes exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz e rejeitam as medidas neoliberais implementadas pelo governo. Uma marcha de trabalhadores percorreu 25 quilômetros de El Alto até a Plaza Murillo, em La Paz, para pressionar as autoridades. Segundo dados da Administração Rodoviária Boliviana, há 80 bloqueios em seis dos nove departamentos do país, com maior concentração em Cochabamba (32 bloqueios) e La Paz (19 bloqueios).
Crise de abastecimento e repressão
A paralisação do transporte terrestre provocou grave escassez de alimentos e combustível em La Paz e El Alto. Motoristas enfrentam filas de até quatro dias para abastecer, resultando em protestos independentes que bloqueiam o trânsito. A tensão social aumentou após a Assembleia Legislativa, controlada pela direita, anular uma lei que limitava a declaração de estado de emergência, permitindo ao governo mobilizar as Forças Armadas para reprimir os protestos. Líderes sindicais, como Mario Argollo, enfrentam perseguição judicial, com mandados de prisão em aberto.
Diálogo interrompido e reações
Os esforços de mediação para um diálogo entre o governo e os manifestantes foram interrompidos. A COB e outros movimentos sociais rejeitaram o apelo do Executivo ao diálogo, realizado durante uma reunião nacional ampliada no domingo (01/06). A crise política e social na Bolívia se aprofunda, com a população sofrendo os impactos diretos da paralisação e da repressão.