Guerra no Oriente Médio afeta exportações capixabas e juros no Brasil; UE prevê crise energética prolongada
O cessar-fogo anunciado entre Estados Unidos, Israel e Irã teve curta duração, intensificando a instabilidade econômica. Produtores de café e pimenta do Espírito Santo enfrentam dificuldades para exportar, com o Oriente Médio sendo um mercado estratégico. No Brasil, a alta de preços decorrente do conflito pode limitar novos cortes na taxa básica de juros (Selic). A União Europeia alerta que a crise energética causada pela guerra será prolongada, impactando o fornecimento de GNL, petróleo e diesel.
Impacto nas Exportações do Espírito Santo
Produtores de café e pimenta-do-reino do Espírito Santo enfrentam dificuldades em negociar e exportar seus produtos para o Oriente Médio devido à contínua instabilidade gerada pelo conflito. Em 2025, o Espírito Santo exportou US$ 186,2 milhões para a região, sendo US$ 119,6 milhões em café e US$ 56,1 milhões em pimenta-do-reino. Até fevereiro de 2026, as vendas somaram US$ 29,2 milhões, um aumento de 34,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma rota comercial crucial, agrava a situação, mantendo o ambiente de cautela para exportadores. Especialistas apontam que o cenário permanece instável.
Efeitos da Guerra nos Juros Brasileiros
O conflito no Oriente Médio e o consequente aumento nos preços de energia podem limitar o espaço para novos cortes na taxa básica de juros (Selic) no Brasil. O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, afirmou que, embora a Selic atual tenha mais margens para cortes do que há seis meses, a guerra atua no sentido oposto ao provocar um choque de preços com potencial para gerar efeitos de segunda ordem. O BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual em março, para 14,75% ao ano, e mantém a defesa de juros em nível restritivo para conter a inflação. A escalada do dólar frente ao real desde o início da guerra também é um fator de atenção.
Crise Energética Prolongada na União Europeia e Redução na Produção da Shell
A União Europeia prevê que a crise de energia decorrente da guerra envolvendo o Irã não será de curta duração, dado que 8,5% do GNL, 7% do petróleo e 40% do combustível de aviação e diesel do bloco transitam pelo Estreito de Ormuz. Após um breve cessar-fogo, o Irã voltou a fechar a rota, impactando a circulação de embarcações. A Shell anunciou produção de gás mais fraca no primeiro trimestre de 2026 e um impacto na liquidez, atribuindo parte dos problemas a ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz. A unidade de produção de gás Pearl, no Catar, pode levar cerca de um ano para ser reparada. A volatilidade dos preços das commodities resultou em grandes oscilações nos valores dos estoques da empresa.