Drogas sintéticas nas Américas se tornam misturas imprevisíveis e elevam riscos à saúde, alerta relatório
Relatório do Observatório Interamericano sobre Drogas revela que 67% dos alertas sanitários entre 2019 e 2025 envolveram combinações de duas ou mais substâncias, como 'tuci' e 'cocaína rosa'. Misturas instáveis, e não novas moléculas, definem os maiores riscos no continente, com casos letais registrados na Argentina em 2022.
Misturas perigosas e mercado adaptável
O mercado de drogas sintéticas nas Américas se tornou imprevisível e adaptável devido ao uso de misturas para reduzir custos, segundo relatório do Observatório Interamericano sobre Drogas publicado em 22 de abril de 2026. Entre 2019 e 2025, 67% dos alertas sanitários emitidos no continente descreveram produtos com duas ou mais substâncias, como combinações de ketamina, MDMA, fentanil e xilazina, um sedativo veterinário. Exemplos incluem a 'tuci' ou 'cocaína rosa', que variam em composição dependendo da região.
Casos letais e sistema de alerta
Um dos casos mais graves ocorreu na Argentina em 2022, onde um lote de cocaína adulterada com carfentanil resultou em 24 mortes e 80 hospitalizações em 48 horas. O Observatório Interamericano sobre Drogas expandiu seu sistema regional de alerta precoce de quatro para 19 países desde 2019, permitindo um monitoramento mais detalhado das tendências. Marya Haynes, chefe do Observatório, destacou que o mercado migrou de substâncias únicas, como cannabis sintética ou MDMA, para combinações instáveis e difíceis de prever.