Indústria do 'limpa-nome' ilude devedores com liminares fraudulentas e movimenta R$ 130 bilhões no Brasil
Investigações revelam esquema fraudulento que promete retirar nomes de cadastros de inadimplência por meio de liminares judiciais, ocultando dívidas sem quitá-las. Associações, advogados e até juízes são alvos de apurações em diversos estados. Especialistas alertam que débitos permanecem ativos e podem reaparecer, apesar da aparente regularização.
Como funciona o esquema
A chamada 'indústria do limpa-nome' opera por meio de associações que se apresentam como defensoras dos direitos do consumidor. Essas entidades ingressam na Justiça com ações coletivas, solicitando que órgãos como Serasa e SPC deixem de exibir restrições financeiras de endividados. O argumento central é a suposta falta de notificação prévia sobre a negativação, embora investigações indiquem que, na maioria dos casos, a comunicação foi realizada conforme determina o Código de Defesa do Consumidor. As liminares obtidas ocultam temporariamente as dívidas dos cadastros, mas não as extinguem, permitindo que os débitos reapareçam posteriormente.
Impacto e alertas
Nos últimos cinco anos, o esquema movimentou cerca de R$ 130 bilhões em dívidas ocultadas, segundo apurações de Ministérios Públicos estaduais e órgãos do Judiciário. André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil, alerta: 'Não tem fórmula mágica. Não caia nessa cilada de acreditar que uma dívida que realmente existe pode simplesmente ser camuflada e desaparecer da noite para o dia'. As investigações também apontam o envolvimento de endereços fantasmas e, em alguns casos, juízes que teriam facilitado a obtenção de decisões favoráveis.