Dificuldade em cortar unhas dos pés pode indicar riscos de mobilidade e quedas em idosos
Médico geriatra Pedro Kallas Curiati destaca que a incapacidade de cortar as próprias unhas dos pés pode revelar limitações de mobilidade, equilíbrio, visão e força manual em idosos. Especialista alerta para o conceito de 'caidor oculto', onde pacientes com queixas clínicas não relacionadas a quedas podem apresentar riscos subjacentes não identificados em emergências.
Risco de quedas e avaliação clínica
O médico Pedro Kallas Curiati, doutor pela Faculdade de Medicina da USP e coordenador das especializações em geriatria e gerontologia da Faculdade Sírio-Libanês, aponta que uma pergunta simples — 'O senhor(a) consegue cortar as próprias unhas dos pés?' — pode funcionar como uma ferramenta eficaz de triagem multidimensional. Segundo Curiati, essa questão ajuda a identificar limitações de mobilidade, equilíbrio, visão e redução da destreza e força de preensão manual em idosos. O especialista introduz o conceito de 'caidor oculto' (hidden faller), referindo-se a pacientes que procuram atendimento médico por queixas aparentemente não relacionadas a quedas, como infecções, dores ou alterações metabólicas, mas que possuem riscos subjacentes não detectados.
Lacunas no atendimento de emergência
Curiati explica que, em emergências, a prioridade é estabilizar a condição aguda que motivou a procura pelo serviço, o que frequentemente deixa a avaliação de risco de quedas em segundo plano. Essa negligência cria um paradoxo: idosos doentes o suficiente para buscar atendimento emergencial são justamente aqueles com maior vulnerabilidade nas semanas seguintes, devido ao descondicionamento físico, debilidade residual da doença aguda e efeitos adversos de novos medicamentos. O médico reforça a importância de uma abordagem mais holística no atendimento a idosos, mesmo em situações de urgência.
Medidas preventivas para evitar quedas
Para reduzir o risco de quedas, o especialista recomenda a adaptação do ambiente doméstico, como a remoção de tapetes soltos, a instalação de iluminação adequada, corrimãos em escadas e barras de apoio nos banheiros. Além disso, destaca a necessidade de calçados com solado antiderrapante e a realização de avaliações periódicas para identificar fatores de risco. Curiati enfatiza que pequenas mudanças podem ter um impacto significativo na prevenção de acidentes e na manutenção da autonomia dos idosos.