Genocídio armênio completa 111 anos com fome como instrumento de atrocidades e paralelos com Gaza
A comunidade armênia no Brasil recorda nesta sexta-feira (24/04) os 111 anos do início do genocídio cometido pelo Império Otomano, que resultou na morte de mais de 1,8 milhão de pessoas entre 1915 e 1923. Especialistas destacam o uso da fome como método de extermínio, prática também observada no atual conflito em Gaza, onde mais de 75 mil palestinos morreram desde outubro de 2023.
Contexto histórico e métodos do genocídio armênio
O genocídio armênio, iniciado em 24 de abril de 1915, foi perpetrado pelo Império Otomano e resultou na morte de mais de 1,8 milhão de pessoas até 1923. Segundo registros historiográficos, as atrocidades incluíram enforcamentos, empalamentos, estupros e, principalmente, as chamadas 'marchas da morte'. Durante essas marchas, a população armênia foi forçada a atravessar o deserto da Síria, onde a maioria morreu por fome, sede e exaustão, especialmente mulheres, crianças e idosos. A antropóloga Mariana Boujikian Felippe, doutoranda em Relações Internacionais, destaca que 'o genocídio aconteceu fazendo os armênios passarem fome, sofrerem com a sede, debaixo do sol, caminhando no deserto'. O Império Otomano, cujo território abrangia partes da atual Turquia, Síria, Líbano, Palestina, Israel, Jordânia, Kuwait, Arábia Saudita e Iêmen, nunca reconheceu o genocídio nem responsabilizou os envolvidos.
Paralelos com o genocídio em Gaza
Mariana Boujikian Felippe estabelece um paralelo entre o genocídio armênio e o atual conflito na Faixa de Gaza, onde a fome também é utilizada como instrumento de guerra. Desde outubro de 2023, mais de 75 mil palestinos morreram em decorrência das ações militares de Israel, segundo dados oficiais. A especialista ressalta que, assim como no genocídio armênio, a privação de alimentos e recursos básicos tem sido uma estratégia recorrente para enfraquecer e dizimar a população civil. 'Uma das grandes marcas desse crime contra a humanidade é o fato de ele nunca ter sido reconhecido pelos seus perpetradores', afirma Boujikian, destacando a ausência de responsabilização em ambos os casos.