Corredores ecológicos na Mata Atlântica triplicam absorção de carbono e aumentam diversidade microbiana
Estudos recentes na Mata Atlântica demonstram que corredores ecológicos, trechos de floresta que conectam fragmentos isolados, podem triplicar a capacidade de absorção de carbono e aumentar a diversidade de fungos e bactérias benéficos. Pesquisadores da Universidade de Exeter e da USP revelaram dados que reforçam a importância da conectividade para metas ambientais do Brasil.
Impacto na absorção de carbono
Pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), verificaram que fragmentos de Mata Atlântica conectados por corredores ecológicos podem absorver entre 43% e 69% mais carbono do que áreas isoladas. A geógrafa Thais Michele Rosan, primeira autora do estudo publicado na revista *Earth and Environment*, destacou que a absorção de carbono foi três vezes maior em regiões úmidas e ricas em nutrientes, como o oeste e o litoral do bioma. A análise utilizou imagens do satélite Landsat entre 1986 e 2020 para estimar o crescimento das árvores e a captura de gás carbônico. Segundo Rosan, áreas pouco conectadas podem levar até 200 anos para atingir níveis originais de carbono acima do solo, enquanto as conectadas alcançam esse patamar em cerca de 45 anos.
Diversidade microbiana e metas ambientais
Um segundo estudo, conduzido pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), observou um aumento na diversidade de fungos e bactérias decompositores, essenciais para a saúde das plantas, em áreas conectadas por corredores ecológicos. Luiz Eduardo Aragão, do Inpe, ressaltou que a conectividade florestal pode auxiliar o Brasil a cumprir a meta do Acordo de Paris de reduzir 53% das emissões de carbono até 2030. A metodologia adotada pelos pesquisadores permite inferir que a restauração de corredores ecológicos acelera a regeneração natural e potencializa os serviços ecossistêmicos.