Lula critica senadores, complicando sabatina de indicado ao STF
Declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que senadores "pensam que são Deus" gerou atrito com o Senado Federal. A fala ocorreu em entrevista no Ceará, em meio à antecipação da sabatina de Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Declaração de Lula e reações no Senado
O presidente Lula afirmou que "Um senador com mandato de oito anos pensa que é Deus. E ele pode criar muito problema se você não tiver uma base de sustentação dentro do Senado". A declaração, feita em entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, no Ceará, complica a relação do governo com o Senado Federal antes da sabatina de Jorge Messias. O senador Angelo Coronel (Republicanos-BA) criticou a fala, dizendo "Senador pode até pensar [que é Deus], mas o presidente se acha [Deus]". A oposição avalia que o próprio governo dificulta a articulação no Senado. A indicação de Messias já enfrentava resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Processo de sabatina e votação
Para ser efetivado como ministro do STF, Jorge Messias precisa ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), necessitando de maioria simples dos votos. Em seguida, a aprovação do plenário da casa exige maioria absoluta, com pelo menos 41 votos dos 81 senadores. Ambas as votações são secretas. O Palácio do Planalto aguardou mais de quatro meses para oficializar a mensagem com a indicação ao Senado, o que ocorreu no mesmo dia da declaração de Lula.