Empresa ligada a aliados de Trump inicia perfuração ilegal de petróleo na Groenlândia e gera crise diplomática
A White Flame Energy, empresa petrolífera com ligações a aliados do ex-presidente dos EUA Donald Trump, transferiu equipamentos de perfuração para a Groenlândia sem autorização das autoridades locais. O governo groenlandês emitiu advertência formal e suspendeu licenças de exploração na região de Jameson Land, onde a empresa planejava operar. A ação ocorre em meio a tensões geopolíticas no Ártico e à suspensão de novas licenças de exploração desde 2021.
Operação não autorizada e advertência do governo
A White Flame Energy, adquirida em 2025 pela britânica 80 Mile PLC e associada à Greenland Energy — empresa americana fundada por aliados de Donald Trump —, transferiu 15 contêineres e máquinas pesadas de construção para o aeródromo de Nerlerit Inaat, na Groenlândia, no final de julho de 2026. O governo groenlandês, por meio do Ministério da Indústria e dos Recursos Minerais, informou que a operação foi realizada sem as permissões necessárias para desembarcar equipamentos na península de Jameson Land, onde a empresa detém três licenças de exploração petrolífera válidas desde 2014 e 2018. Uma advertência formal foi emitida à White Flame Energy, que agora enfrenta investigações por violação de regulamentos locais.
Contexto geopolítico e interesses no Ártico
A movimentação da White Flame Energy ocorre em um momento de crescente interesse internacional na região do Ártico, especialmente após a suspensão de novas licenças de exploração petrolífera pelo governo da Groenlândia em 2021. A área de Jameson Land, alvo da operação não autorizada, é estratégica devido às suas reservas potenciais de petróleo e gás. A parceria da 80 Mile PLC com a Greenland Energy, empresa criada por figuras próximas ao ex-presidente dos EUA Donald Trump, levanta questões sobre a influência de interesses americanos na região. Analistas apontam que a exploração de recursos naturais no Ártico tem sido um tema sensível, com disputas entre potências globais e preocupações ambientais.
Reações e próximos passos
O governo da Groenlândia classificou a operação como uma violação grave das normas locais e anunciou que tomará medidas legais para garantir o cumprimento das regulamentações. A White Flame Energy ainda não se pronunciou publicamente sobre a advertência. Especialistas em direito internacional destacam que a falta de autorização prévia pode resultar em sanções financeiras ou na revogação das licenças de exploração. A crise diplomática se intensifica à medida que a Dinamarca, responsável pela política externa da Groenlândia, monitora a situação e avalia possíveis repercussões nas relações com os Estados Unidos.