Liderança tóxica ganha espaço em empresas de tecnologia sob clima político autoritário, alerta Brené Brown
A pesquisadora Brené Brown critica a normalização de práticas de liderança tóxicas no Vale do Silício, onde demissões em massa são justificadas como 'ganhos de produtividade' e o monitoramento extremo de funcionários se torna comum. Em entrevista, ela destaca que o cenário político atual oferece 'cobertura' para líderes autoritários, mas reforça que a coragem e a empatia não devem ser abandonadas independentemente do clima.
Contexto e críticas de Brené Brown
Brené Brown, conhecida por seus estudos sobre vulnerabilidade e liderança, apontou em entrevista ao Business Insider que o ambiente corporativo, especialmente no setor de tecnologia, tem adotado práticas de gestão cada vez mais autoritárias. Segundo ela, CEOs estão realizando demissões em massa, justificando-as como 'ganhos de produtividade', enquanto aumentam a pressão sobre equipes remanescentes, monitoram atividades dos funcionários e direcionam bilhões para projetos de inteligência artificial, reduzindo investimentos em capital humano. Brown afirmou que líderes tóxicos encontram mais 'cobertura' para seus comportamentos em um contexto de autoritarismo crescente, citando o clima político atual como um fator que influencia essas dinâmicas.
Empatia e coragem como valores inegociáveis
A pesquisadora enfatizou que líderes corajosos não devem alterar seus valores com base no clima político ou nas tendências do momento. 'Líderes corajosos não mudam quem são dependendo do clima político. Eles não olham para ver se a empatia está fora de moda hoje e decidem ter menos dela', declarou. Brown reconheceu que o cenário atual, influenciado por figuras políticas com perspectivas distintas, traz um nível maior de escrutínio, mas reforçou que não há desculpas para abandonar princípios como empatia e vulnerabilidade. Ela também mencionou que sua pesquisa, inicialmente focada em vergonha e vulnerabilidade, agora é aplicada ao ambiente de trabalho, onde a pressão por resultados muitas vezes ignora o bem-estar dos funcionários.