Escritor palestino Yousri Alghoul relata inferno em Gaza sob bombardeios incessantes e escolhe permanecer no norte
Yousri Alghoul, conhecido como 'o escritor que permaneceu no norte de Gaza', descreve em relato publicado pelo Instituto de Estudos Palestinos a situação desesperadora no bairro de Ard al-Ghoul/Al-Murabitun, com cerca de 50 explosões em uma única noite. Enquanto sua família foge para a zona central, ele opta por ficar, afirmando que 'escrever é um ato de loucura neste momento, e seria loucura não escrever'.
Testemunho sob fogo
No dia 18 de setembro de 2025, o escritor palestino Yousri Alghoul registrou em texto intitulado 'Paradoxos da Dor', publicado no site do Instituto de Estudos Palestinos, o drama vivido em seu bairro, Ard al-Ghoul/Al-Murabitun, no norte de Gaza. Alghoul relatou que sua casa tremeu com bombardeios contínuos, chegando a contar cerca de 50 explosões em uma única noite. Durante a escrita, uma detonação próxima espalhou estilhaços ao seu redor, quase o atingindo. Enquanto sua esposa e filhos fugiram para a zona central, ele decidiu permanecer, justificando sua escolha como um ato de resistência intelectual e poética.
Dilema identitário e resistência pela escrita
Alghoul, um dos autores palestinos mais reconhecidos, enfrenta um dilema central em seu trabalho: 'Ser ou não ser um escritor durante o genocídio? Escrever ou não escrever sob fome e bombardeios?'. Em seu relato, ele questiona a própria função como intelectual em meio à guerra, optando por traduzir essa tensão em resistência. Para o autor, a escrita se torna um dispositivo humano para expor a realidade de Gaza ao leitor ocidental, desafiando-o a confrontar a violência e a solidariedade com o povo palestino. Suas obras, incluindo textos publicados na Itália pela Edizioni Q, exploram a relação entre poder, território e alteridade.