MP de Mato Grosso pede investigação contra delegado por suspeita de mentir em júri de policial acusado de homicídio
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) solicitou à Corregedoria da Polícia Civil a investigação do delegado Guilherme de Carvalho Bertoli por supostamente apresentar informações falsas durante o julgamento do investigador Mário Wilson da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz em Cuiabá. O MP alega que o delegado afirmou ter recebido ligação do acusado e encontrado drogas no local, fatos não registrados em documentos oficiais e desmentidos por testemunhas.
Contexto do caso
O investigador Mário Wilson da Silva Gonçalves foi julgado pelo júri popular entre os dias 12 e 14 de maio de 2026, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz em uma conveniência de posto de combustível em Cuiabá. O crime ocorreu em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas, e o vídeo do momento do homicídio foi amplamente divulgado. A defesa de Mário Wilson alegou que ele acreditava estar diante de um usuário de drogas, e não de um policial militar, como justificativa para o ato.
Acusações contra o delegado
O delegado Guilherme de Carvalho Bertoli, segundo o MPMT, afirmou durante o julgamento que recebeu uma ligação do investigador Mário Wilson logo após o crime, na qual este teria dito que havia 'matado um noiado'. Bertoli também declarou ter sido a primeira autoridade a chegar ao local e que encontrou papelotes de cocaína próximos ao corpo da vítima. No entanto, o Ministério Público ressalta que essas informações não constam em nenhum documento oficial, como inquérito policial, laudos periciais, boletins de ocorrência ou autos de apreensão. Além disso, testemunhas e outros policiais negaram a existência de drogas no local do crime.
Inconsistências apontadas pelo MP
O MPMT destacou que o delegado Bertoli afirmou ter repassado as informações sobre a suposta presença de drogas a outros três delegados que atuaram no caso. Porém, durante o julgamento, dois desses delegados negaram ter recebido qualquer relato nesse sentido. Para os promotores, a narrativa apresentada por Bertoli teria como objetivo reforçar a tese da defesa de Mário Wilson, de que o investigador agiu sob a crença de que a vítima era um usuário de drogas. O Ministério Público também questionou a alegação de Bertoli de ter sido o primeiro policial a chegar ao local do crime, sem que isso tenha sido corroborado por registros ou testemunhas.