EUA e Irã mantêm impasse no Estreito de Ormuz com bloqueios mútuos e risco de escalada militar
O bloqueio naval dos Estados Unidos ao Estreito de Ormuz completa mais de um mês, enquanto o Irã cobra taxas milionárias para passagem segura de navios. Negociações mediadas pelo Paquistão fracassam, elevando o risco de conflito regional. Analistas apontam que nenhum dos lados demonstra disposição para recuar, apesar das pressões econômicas e políticas internas.
Bloqueios concorrentes e violações ao direito marítimo
O Estreito de Ormuz, rota crítica para o transporte global de petróleo, enfrenta bloqueios mútuos desde abril de 2026. O Irã exige pagamentos de até US$ 2 milhões por navio para garantir passagem segura, uma prática considerada ilegal pelo direito marítimo internacional. Enquanto isso, os EUA mantêm um bloqueio naval para impedir exportações iranianas de petróleo. Apesar das restrições, algumas embarcações asiáticas continuam pagando as taxas iranianas, enquanto navios iranianos ainda conseguem atravessar o estreito.
Negociações estagnadas e risco de escalada
As negociações entre EUA e Irã, mediadas pelo Paquistão, não avançam. Um memorando de uma página proposto para encerrar as hostilidades e reabrir o estreito não foi aceito por nenhuma das partes. Analistas do Gulf International Forum (GIF) destacam que as ameaças militares intermitentes do presidente Donald Trump podem ter fortalecido a resistência iraniana. "Eles interpretam isso como falta de vontade dos EUA de escalar a guerra", afirmou Dania Thafer, diretora executiva do GIF. A pressão interna nos EUA, com inflação e alta nos preços do petróleo, e a cautela de aliados do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, limitam as opções de Trump.