Lula busca evitar classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas por Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunirá com Donald Trump em Washington nesta quinta-feira (7) para discutir o combate ao crime organizado, com foco em evitar que facções brasileiras sejam classificadas como grupos terroristas pelos EUA. A medida, defendida por setores do governo americano, poderia resultar em sanções e impactar a relação bilateral.
Pressão dos EUA e resistência brasileira
Desde março de 2026, o governo dos Estados Unidos avalia classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, seguindo o modelo aplicado a cartéis mexicanos e grupos venezuelanos. A proposta, liderada pelo secretário de Estado Marco Rubio, foi comunicada ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, em uma ligação no início de março. Vieira tentou dissuadir Rubio, mas fontes do Departamento de Estado indicam que a medida avançou, com pressão adicional de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre a Casa Branca.
Contexto e implicações
A classificação como grupo terrorista permitiria aos EUA impor sanções econômicas e restrições a indivíduos e entidades ligadas às facções. Desde 2025, o governo Trump intensificou ações contra o narcotráfico na América Latina, incluindo operações militares no Pacífico, Caribe e Venezuela, onde o ditador Nicolás Maduro foi capturado. No Equador, os EUA já atuaram em parceria com autoridades locais para desmantelar rotas do crime organizado. Para o Brasil, a medida poderia complicar a cooperação em segurança e afetar a soberania nacional, segundo fontes do governo Lula.
Agenda da reunião
O encontro entre Lula e Trump terá como um dos pontos centrais a discussão sobre o tema, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin. A pauta inclui também o combate ao tráfico de drogas e a cooperação regional, mas a classificação das facções como terroristas é vista como prioridade para evitar sanções. O governo brasileiro busca alternativas para conter o crime organizado sem ceder à pressão externa, enquanto os EUA defendem uma abordagem mais dura, alinhada à sua estratégia de segurança nacional.