Ex-consultores de MBB deixam carreira tradicional para fundar startups de IA em meio a boom tecnológico
Ex-consultores das principais firmas de consultoria estratégica, como Bain, McKinsey e BCG, estão abandonando suas carreiras para fundar startups de inteligência artificial. O movimento reflete uma mudança no mercado, impulsionada pela revolução da IA, que reduz barreiras para empreender. No entanto, a transição exige adaptação a um ambiente mais ágil e menos estruturado do que o tradicional.
Consultores trocam parcerias por startups
O caminho para se tornar sócio em firmas como Bain, McKinsey ou BCG (conhecidas como MBB) era considerado o ápice da carreira em consultoria estratégica. No entanto, com o avanço da inteligência artificial e a redução das barreiras para criar empresas, muitos consultores estão deixando o setor para fundar suas próprias startups. Segundo Julius Bruch, Kevin Wu e Daphne Tay, fundadores de empresas como Bluente e Nathan Wangliao, a IA está redefinindo indústrias e tornando o empreendedorismo uma opção mais atraente do que aconselhar clientes de fora.
Desafios na transição para o empreendedorismo
A mudança do ambiente corporativo para o de startups não é simples. Nathan Wangliao, ex-McKinsey, relatou que passou de um escritório com diversos benefícios para um espaço de coworking com apenas duas outras pessoas. 'Tivemos que descobrir tudo do zero', afirmou. Muitos ex-consultores enfrentam dificuldades para abandonar hábitos como a análise excessiva, a busca por dados perfeitos e a aversão ao risco. 'Em uma startup, é preciso agir rápido com pragmatismo improvisado', destacou um dos entrevistados.
Impacto no mercado de consultoria tradicional
A saída de talentos das grandes consultorias tem se intensificado. James Ransome, sócio da Patrick Morgan, especializada em contratação de altos executivos, descreveu o fenômeno como um 'êxodo' das tradicionais potências do setor. Dados da Revelio Labs mostram que as contratações de nível inicial em consultorias caíram 54% em junho de 2025 em comparação ao ano anterior, enquanto as contratações de nível gerencial diminuíram 22%. A tendência reflete uma desaceleração no crescimento do setor e uma busca por oportunidades mais dinâmicas em IA e tecnologia.