Novo filme 'The Mummy' corrige estereótipos orientalistas, mas ainda enfrenta críticas por representação do Egito
O diretor Lee Cronin busca corrigir problemas históricos de representação em 'The Mummy', incluindo elenco com atores árabes e cenas em árabe. No entanto, o filme ainda retrata o Egito de forma arcaica, ignorando a modernidade do país e reforçando estereótipos.
Contexto histórico e evolução da franquia
Desde o lançamento de 'The Mummy' em 1932, com Boris Karloff no papel principal, a franquia explorou a figura de uma múmia egípcia ressuscitada causando caos. A série da Hammer Films (1959-1971) e a trilogia estrelada por Brendan Fraser e Rachel Weisz (a partir de 1999) consolidaram o tema como um clássico do cinema de aventura e terror. No entanto, essas produções foram criticadas por perpetuar estereótipos orientalistas, retratando o Norte da África e o Egito como cenários exóticos e místicos, centrados em protagonistas brancos e muitas vezes marginalizando ou estereotipando personagens árabes. A prática de *whitewashing* e a ausência de atores árabes em papéis significativos foram pontos recorrentes de controvérsia.
Mudanças no novo filme
Dirigido por Lee Cronin, o novo 'The Mummy' busca corrigir algumas dessas questões. O elenco inclui atores árabes em papéis de destaque, como May Calamawy (egípcia-palestina), May Elghety (egípcia) e Hayat Kamille (iraquiana), além de outros atores árabes em papéis menores. O filme também apresenta cenas em que os personagens falam árabe, um esforço reconhecido pelo diretor como parte de um processo de aprendizado e autenticidade. Cronin destacou em entrevista ao IGN a importância de representar o Egito de forma mais fiel: 'O lado egípcio e essa autenticidade realmente importaram para mim'.
Críticas persistentes
Apesar dos avanços, o filme ainda enfrenta críticas por sua representação do Egito. Embora o elenco inclua atores árabes, o país é retratado de maneira arcaica e desatualizada. A família Khalil, por exemplo, é mostrada usando roupas datadas e dirigindo um carro velho, enquanto as cenas externas do Cairo ignoram a modernidade da cidade, focando em uma imagem poeirenta e antiquada. Essa abordagem reforça estereótipos de que o Egito é um lugar atrasado, em vez de destacar sua evolução urbana e cultural contemporânea.