Dívida de FGTS por empresas no Brasil atinge R$ 12,6 bilhões e afeta 11 milhões de trabalhadores
Número de empresas inadimplentes com depósitos do FGTS cresce no Brasil, deixando 11 milhões de trabalhadores com valores atrasados. Dívida total das empresas chega a R$ 12,6 bilhões até junho de 2026. Casos de trabalhadores que descobrem o problema apenas após demissões ou consultas ao aplicativo oficial se multiplicam.
Crescimento da inadimplência e impacto nos trabalhadores
O número de empresas que atrasam ou deixam de depositar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários aumentou no Brasil. Até junho de 2026, 11 milhões de trabalhadores estavam com os depósitos em atraso, representando um aumento em relação aos 9,5 milhões registrados em setembro de 2025. A dívida total das empresas com o FGTS atingiu R$ 12,6 bilhões, um crescimento de R$ 2,6 bilhões em menos de um ano. O soldador Julio Lima descobriu a irregularidade ao consultar o aplicativo do FGTS. Embora os contracheques indicassem os descontos, os depósitos não eram realizados desde novembro de 2025. "Então, todos foram ver no aplicativo. O pessoal foi instalando, um e outro. E a gente vai: fala com nosso líder, fala com encarregado, não tem informação. Mas chega uma hora que explodiu, eles assumiram que tava. 'Ah, vamo acertar, vamo acertar'. E acabou não acertando", relatou Julio.
Descoberta do problema em momentos críticos
Muitos trabalhadores só descobrem o atraso nos depósitos do FGTS em situações críticas, como demissões. Grace e Allan, por exemplo, trabalharam por quatro anos em uma organização social que prestava serviços para um hospital público no Rio de Janeiro. Quando o contrato terminou, ambos foram dispensados e só então perceberam que os depósitos do FGTS não haviam sido realizados. O FGTS corresponde a 8% do salário bruto do trabalhador e deve ser depositado mensalmente pelos empregadores.