O fim do KaZaa: a ascensão e queda do rei do download de música
O KaZaa foi um dos softwares mais baixados da história da internet, tornando-se sinônimo de download de música no início dos anos 2000. Diferente do Napster, ele utilizava uma rede descentralizada (FastTrack), o que dificultava seu fechamento imediato. Para escapar de processos judiciais em diversos países, a empresa por trás do software utilizou paraísos fiscais e estruturas complexas. Em 2006, a empresa fechou um acordo bilionário com a indústria fonográfica para encerrar os processos e tentar transformar o serviço em uma plataforma legal. No entanto, a tentativa de se reinventar como serviço de streaming e download pago fracassou, pois o mercado já havia migrado para o BitTorrent e, posteriormente, para plataformas como o YouTube e o Spotify. O site oficial do KaZaa saiu do ar em 2012, encerrando definitivamente sua trajetória.
Nascimento das cinzas do Napster
O KaZaa surgiu em 2001 como uma alternativa ao Napster, que havia sido forçado a parar por decisões judiciais. Enquanto o Napster dependia de servidores centrais, o KaZaa utilizava a tecnologia FastTrack, que funcionava de forma descentralizada, usando os próprios computadores dos usuários como 'supernós'. Isso tornava a rede muito mais difícil de ser desligada por um único interruptor.
Fenômeno no Brasil e no mundo
O crescimento do KaZaa foi explosivo, alcançando centenas de milhões de downloads e milhões de usuários simultâneos. No Brasil, o programa tornou-se quase um 'verbo' na era da internet discada, sendo a principal forma de obter músicas gratuitamente antes da popularização do streaming. Contudo, o software frequentemente incluía adwares e spywares, além de ser frequentemente inundado por arquivos falsos ou corrompidos.
O preço de ser gratuito
Para manter a gratuidade, o KaZaa embutia ferramentas que exibiam anúncios e deixavam os computadores lentos. Isso gerou a criação de versões 'limpas' não oficiais, como o KaZaa Lite K++. Além disso, a pirataria era combatida pela indústria fonográfica com a distribuição de arquivos falsos, o que exigia paciência e sorte dos usuários para encontrar o conteúdo correto.
Que fim levou o KaZaa?
A empresa original (Consumer Empowerment) vendeu os ativos para a Sharman Networks em 2002, que operava em paraísos fiscais para dificultar processos judiciais. Em 2005, a justiça australiana determinou mudanças no software para filtrar conteúdos protegidos. Em 2006, a Sharman pagou mais de US$ 100 milhões para encerrar os processos e tentar transformar o KaZaa em um serviço legal e pago.
A queda do KaZaa
A tentativa de transição para um modelo de negócio legal e pago falhou porque o mercado já havia adotado o BitTorrent e o YouTube. Em 2011, uma última tentativa de lançar um aplicativo móvel não obteve sucesso, e em 2012 o site oficial foi desativado definitivamente.
KaZaa ainda existe? O que sobrou da marca
Não, o KaZaa não existe mais como o software de compartilhamento de arquivos. A marca e os serviços da Sharman Networks estão inativos desde 2012, e não há continuidade oficial entre o software original e qualquer projeto atual que utilize o nome.