Aumento de ações judiciais sem advogados nos EUA impulsiona uso de IA generativa em tribunais
Estudo do MIT e da USC revela crescimento de 64% a 158% no volume de ações judiciais nos tribunais federais dos EUA após disseminação de ferramentas de IA generativa. Litigantes que representam a si mesmos, conhecidos como 'pro se', passaram de 11% para 16,8% dos casos em 2025. Mais de 18% das queixas civis abertas em 2026 contêm trechos redigidos por algoritmos, mas erros factuais e falsas citações de jurisprudência geram desafios administrativos.
Crescimento de litigantes 'pro se' e impacto da IA
Um estudo conduzido por Anand Shah, do MIT, e Joshua Levy, da Universidade do Sul da Califórnia (USC), analisou 4,5 milhões de casos civis e 46 milhões de registros do sistema de processo eletrônico dos tribunais federais dos EUA entre 2005 e 2026. Os dados revelam que a participação de litigantes que representam a si mesmos, denominados 'pro se', subiu de uma média histórica de 11% para 16,8% no ano fiscal de 2025. A facilidade de acesso a assistentes virtuais como ChatGPT e Gemini permitiu a formatação rápida de reclamações estruturadas, com terminologia jurídica especializada, impulsionando o volume de entradas em documentos processuais nos primeiros 180 dias de um caso em até 158%.
Erros e desafios administrativos nos tribunais
A proliferação de petições redigidas por modelos de linguagem trouxe falhas documentais graves, como falsas citações de jurisprudência e precedentes inexistentes. Damien Charlotin, pesquisador da HEC Paris, mapeou mais de 1,4 mil casos nos últimos três anos em que magistrados enfrentaram inconsistências geradas por inteligência artificial. O fluxo de decisões voltadas a corrigir esses desvios operacionais atinge uma média de 350 a 400 despachos por trimestre, sobrecarregando as secretarias judiciais e exigindo adaptações nos sistemas de triagem e análise processual.