Haiti troca paixão histórica pelo Brasil e sonha com Copa do Mundo 2026 após 52 anos de ausência
Seleção haitiana, conhecida como 'Grenadiers', retorna à Copa do Mundo após classificação histórica e enfrenta o Brasil no Grupo C. País, marcado por crises, vê no futebol uma esperança de união e superação. Jovens como Guerier Lima, de 16 anos, sonham em seguir os passos do artilheiro Duckens Nazon, enquanto a população celebra a primeira participação desde 1974.
Haiti na Copa: Um sonho após décadas de espera
O Haiti se classificou para a Copa do Mundo 2026 pela primeira vez desde 1974, encerrando um jejum de 52 anos. A seleção, apelidada de 'Grenadiers', integrará o Grupo C ao lado de Marrocos, Escócia e Brasil, com o confronto contra a equipe brasileira marcado para 19 de junho, no Estádio da Filadélfia. A classificação trouxe uma onda de entusiasmo ao país, que enfrenta uma profunda crise política, econômica e social. Peladas improvisadas em terrenos baldios e a venda de camisas da seleção haitiana nas ruas de Porto Príncipe refletem o orgulho nacional pela conquista.
Do apoio ao Brasil à torcida pelos 'Grenadiers'
Historicamente, os haitianos torciam pelo Brasil em Copas do Mundo, mas a classificação da própria seleção mudou esse cenário. Guerier Lima, de 16 anos, exemplifica essa transição: apesar de vestir uma camisa do Brasil com o número 10, ele afirma que seu time favorito agora é o Haiti. 'Meu país está na Copa do Mundo. O Brasil ficou em segundo plano', declarou. Lima sonha em seguir os passos de Duckens Nazon, maior artilheiro da seleção haitiana e jogador do Esteghlal, do Irã. A falta de recursos para treinamento em clubes não o impede de sonhar: 'Minha família não tem condições de me colocar em um clube, mas estou tentando entrar em um de qualquer jeito'.
Futebol como esperança em meio à crise
A participação do Haiti na Copa do Mundo 2026 surge como um alento em um país assolado por violência, instabilidade política e pobreza. A seleção haitiana, que enfrentará o Brasil no dia 19 de junho, representa mais do que uma competição esportiva: é um símbolo de resistência e união nacional. Enquanto a população se prepara para apoiar os 'Grenadiers', o futebol se torna uma válvula de escape para as dificuldades cotidianas, reforçando a identidade e o orgulho haitiano em um momento crítico da história do país.