China reconhece Brasil como zona livre de febre aftosa e suspende restrições à importação de carne bovina e suína
A China suspendeu as restrições relacionadas à febre aftosa e reconheceu todo o território brasileiro como livre da doença, ampliando as oportunidades de exportação de produtos bovinos e suínos, incluindo miúdos e carne com osso. O Brasil, maior exportador global de carne bovina e de frango, destinou mais da metade de suas exportações de carne bovina à China em 2025. A decisão ocorre após mais de 20 anos de negociações e uma série de diálogos estratégicos entre os dois países.
Impacto no comércio bilateral
A suspensão das restrições pela China representa um marco para o agronegócio brasileiro, especialmente para o setor de carnes. Em 2025, o Brasil exportou mais da metade de sua carne bovina para a China, que é a maior importadora mundial do produto. No primeiro trimestre de 2026, as compras chinesas de carne bovina brasileira somaram quase US$ 3 bilhões, segundo dados comerciais. A medida também abre caminho para a exportação de carne suína e miúdos, segmentos que vinham enfrentando barreiras sanitárias. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Ministério das Relações Exteriores destacaram que a decisão foi resultado de esforços diplomáticos e técnicos, incluindo a recente visita do ministro Mauro Vieira a Pequim.
Contexto sanitário e negociações
A febre aftosa foi um dos principais entraves para a ampliação das exportações brasileiras à China. O Brasil vinha negociando o reconhecimento como zona livre da doença há mais de duas décadas. Em maio de 2026, o ministro da Agricultura, André de Paula, solicitou à China a reatribuição de cotas de exportação não utilizadas por outros países, mas o pedido foi rejeitado. A decisão chinesa ocorre após um surto de febre aftosa na região noroeste do país, que afetou 219 bovinos em Gansu e Xinjiang. A China respondeu com medidas rigorosas, incluindo abates, desinfecção e reforço nos controles de fronteira. A suspensão das restrições ao Brasil reflete a confiança nas medidas sanitárias brasileiras e pode estimular outros mercados a revisarem suas políticas.