Mudanças climáticas aumentam duração diária de incêndios florestais na América do Norte
Estudo publicado na revista 'Science Advances' revela que incêndios florestais nos EUA e Canadá estão queimando por mais horas diárias, incluindo períodos noturnos que antes eram de relativa calmaria. Pesquisa analisou dados de 9 mil incêndios entre 2017 e 2023 e identificou aumento de 36% nas horas anuais de queima potencial nos últimos 50 anos.
Padrão histórico alterado
Historicamente, a noite representava um período de alívio no combate a incêndios florestais na América do Norte, com queda de temperatura e aumento da umidade reduzindo a intensidade das chamas. Esse padrão permitia que equipes de bombeiros se reagrupassem e avançassem no controle do fogo. No entanto, pesquisadores identificaram que as mudanças climáticas estão enfraquecendo esse ciclo natural de variação entre dia e noite, resultando em incêndios ativos por mais horas diárias.
Dados e metodologia do estudo
O estudo analisou dados horários de satélites referentes a cerca de 9 mil incêndios florestais com mais de 200 hectares registrados nos EUA e Canadá entre 2017 e 2023. Os resultados indicaram que um terço dos dias de queima ativa nas florestas boreais canadenses e nas montanhas do oeste do continente — regiões como Colúmbia Britânica, Alberta, Califórnia, Oregon e Colorado — superou 12 horas de atividade. Em 14% dos dias com atividade noturna, o pico de intensidade do fogo ocorreu durante a noite, contrariando o padrão histórico.
Aumento nas horas de queima potencial
Utilizando um modelo de aprendizado de máquina treinado com dados de 2017 a 2023, os pesquisadores estimaram a evolução das horas de queima potencial desde 1975. Os resultados apontaram um aumento de 36% nas horas anuais de queima potencial nos EUA e Canadá ao longo de 50 anos. No oeste do continente, especialmente na primavera e outono, o crescimento foi ainda mais acentuado, variando entre 48% e 57%.