Feminista Pioneira Leopoldina Fortunati Critica Governos de Direita e Autonomia Financeira das Mulheres
A socióloga Leopoldina Fortunati, autora do clássico feminista italiano 'O Arcano da Reprodução', lançado em 1981, ressurge no Brasil com uma obra que discute a centralidade do trabalho doméstico e sexual na reprodução do capitalismo. Fortunati alerta para o risco de desmonte de serviços sociais por governos de direita e extrema direita, que ela acredita que empurram mulheres para um 'modelo Adão e Eva'.
Críticas à Direita e o Papel do Trabalho Doméstico
Leopoldina Fortunati, conhecida por seu trabalho pioneiro no feminismo italiano, apresentou novas reflexões sobre o contexto político atual, criticando governos de direita e extrema direita. Segundo ela, o desmonte dos serviços sociais por esses governos tende a aumentar a dependência do trabalho doméstico, que historicamente é invisibilizado e não remunerado. Fortunati enfatiza a necessidade de autonomia financeira para as mulheres, destacando que, em cenários onde homens não possuem recursos e o trabalho feminino é mal pago, o Estado também falha em oferecer suporte. A resposta da direita a essa situação, segundo a autora, é o retorno a um modelo de vida tradicional, comparado ao 'modelo Adão e Eva'.
Contexto de Lutas Feministas e o Surgimento da Obra
Fortunati contextualiza o surgimento de 'O Arcano da Reprodução' como um livro militante, nascido dos debates e lutas feministas dos anos 1970 na Itália. Ela aponta que, apesar da força política do Partido Comunista Italiano na época, sua proposta para as mulheres era limitada, focando apenas na emancipação através do trabalho assalariado. Foi nesse ambiente que Mariarosa Dalla Costa começou a desenvolver a ideia de salário para o trabalho doméstico, conceito explorado por Fortunati em sua obra. A socióloga também ressalta a importância da articulação internacional do feminismo, vendo as tecnologias como ferramentas para fortalecer essa construção.