Terremotos em zonas de subducção 'ressuscitam' micróbios adormecidos há milhões de anos no fundo do mar
Estudo apresentado na Reunião Anual da SSA de 2026 revela que terremotos em zonas de subducção atuam como 'elevadores tectônicos', transportando micróbios soterrados a até um quilômetro de profundidade de volta ao assoalho oceânico. O processo permite que organismos dormentes por milhares ou milhões de anos sejam reativados e se reproduzam.
Mecanismo de transporte e reativação
Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia identificaram que zonas de subducção — regiões onde uma placa tectônica mergulha sob outra — funcionam como um sistema de transporte para micróbios enterrados em sedimentos profundos. Durante o processo de subducção, camadas de sedimentos ricos em micróbios são raspadas da placa descendente e acumuladas em forma de cunha contra a placa sobreposta. Embora a maioria dos micróbios continue sua jornada rumo ao manto terrestre, uma fração é impulsionada de volta ao fundo do mar por fluxos de fluidos gerados pelo atrito entre as placas. Segundo Zhengze Li, autor principal do estudo, esses micróbios são 'realocados para o fundo do mar raso, onde a temperatura e a pressão são mais amenas', permitindo sua reativação e reprodução.
Implicações científicas e metodologia
O estudo utilizou imagens de microscopia eletrônica de varredura para analisar micróbios coletados na costa do Japão, com ampliação de 5.000 vezes. Os pesquisadores destacaram que o processo de transporte por fluidos tectônicos é fundamental para a sobrevivência desses organismos, que permanecem dormentes por períodos que podem ultrapassar milhões de anos. A pesquisa foi apresentada na Reunião Anual da Sociedade Sismológica da América (SSA) de 2026 e reforça a conexão entre atividade tectônica e biodiversidade microbiana em ambientes extremos.