Brasil Gera 2,4 Milhões de Toneladas de Lixo Eletrônico Anualmente Devido à Obsolescência Programada
Eletrodomésticos e smartphones brasileiros apresentam vida útil reduzida devido à obsolescência programada. Cerca de 54% dos smartphones param de funcionar antes de três anos, e 81% dos consumidores optam pela troca em vez do reparo, contribuindo para a geração de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022.
Obsolescência Programada Afeta Durabilidade de Eletrônicos no Brasil
Eletrodomésticos como geladeiras e máquinas de lavar, que antes duravam de 20 a 25 anos, agora têm vida útil reduzida para 10 a 15 anos, indicando uma mudança de projeto em direção à obsolescência programada. Essa estratégia, onde produtos são projetados para durar menos do que o tecnicamente possível, é verificável no cotidiano dos consumidores brasileiros. No caso dos smartphones, pesquisas do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) revelam que 54% dos aparelhos deixam de funcionar antes de completar três anos de uso. A percepção de que o reparo é difícil, caro e inviável leva 81% dos brasileiros a optarem pela substituição do dispositivo em vez da assistência técnica. Fabricantes frequentemente restringem o acesso a peças de reposição, dificultam a abertura de dispositivos e centralizam reparos em assistências autorizadas, cujos custos podem rivalizar com o preço de produtos novos. O escândalo do 'Batterygate' da Apple em 2017, onde o desempenho de iPhones mais antigos foi deliberadamente reduzido via atualização de software, exemplifica essa prática. Como resultado desse ciclo, o Brasil gerou 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2022, de acordo com o relatório The Global E-waste Monitor.