Grandes varejistas brasileiros revisam modelo de expansão física e buscam reestruturação
Redes como Casas Bahia, Marabraz e Grupo Pão de Açúcar (GPA) enfrentam desafios com juros altos e custos operacionais de unidades físicas. O setor observa uma transição para formatos menores, maior foco em rentabilidade e adaptação ao comportamento de um consumidor mais cauteloso.
Crise no modelo de expansão e recuperação judicial
Grandes redes como Casas Bahia e Marabraz recorreram à Justiça para reestruturar dívidas. A Marabraz possui um passivo de R$ 140 milhões, enquanto a Casas Bahia busca reestruturar R$ 17,3 bilhões em dívidas, em sua segunda reestruturação em dois anos. No setor alimentar, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) optou por uma recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas. Outras redes, como St Marche e Dia, também entraram em processos de recuperação judicial para lidar com o endividamento e juros elevados.
Impacto dos juros e custos operacionais
O modelo de crescimento baseado na abertura acelerada de lojas físicas tornou-se difícil de sustentar devido ao aumento dos custos de aluguel, logística, pessoal e tecnologia. O cenário econômico com a taxa Selic em 15% ao ano em julho de 2025 elevou o custo do crédito, impactando diretamente empresas com passivos elevados. Especialistas apontam que a expansão só é viável quando há ganho de eficiência, conveniência e giro rápido de estoque.
Mudança no comportamento do consumidor
Dados da NielsenIQ (NIQ) indicam que 66% dos consumidores buscam opções de menor preço e 45% escolhem produtos mais baratos independentemente da marca. Além disso, 80% planejam as compras antecipadamente e 47% pretendem comprar mais produtos de marca própria. Esse cenário favoreceu o modelo de atacarejos, que representou 29% das vendas do varejo alimentar em 2025, totalizando R$ 327,8 bilhões.
Desempenho do setor e novos canais
O varejo alimentar movimentou R$ 1,145 trilhão em 2025. O mercado de marketplace, embora ainda represente cerca de 1% do faturamento total (R$ 7,3 bilhões), já é o quinto maior formato de vendas. A concorrência agora inclui players como Mercado Livre, Amazon, iFood e 99, que disputam o espaço de conveniência e preço com os supermercados tradicionais.