EUA negociam centro de quarentena no Quênia para americanos expostos ao ebola
O governo de Donald Trump está em negociações com o Quênia para criar um centro de quarentena destinado a cidadãos americanos expostos ao vírus ebola durante o surto na República Democrática do Congo. A medida visa evitar a entrada de casos no país e representa uma mudança na estratégia adotada em 2014, quando infectados eram tratados nos EUA. Especialistas questionam a eficácia da proposta.
Contexto do surto e estratégia americana
O atual surto de ebola na República Democrática do Congo já resultou em cerca de 220 mortes e 900 casos confirmados, sendo classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o terceiro maior já registrado da cepa Bundibugyo do vírus. Diante desse cenário, o governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, adotou uma estratégia distinta da utilizada em 2014, quando pacientes infectados foram transferidos para tratamento em centros especializados nos EUA. Agora, a prioridade é conter a doença próximo à região afetada, evitando a entrada de casos no território americano. Durante uma reunião de gabinete na Casa Branca em 27 de maio de 2026, o secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou a posição do governo: 'Não podemos e não vamos permitir que nenhum caso de ebola entre nos Estados Unidos'. A proposta envolve a construção de um centro de quarentena no Quênia, onde cidadãos americanos expostos ao vírus seriam monitorados antes de receberem autorização para retornar ao país.
Reações e críticas à proposta
A ideia de um centro de quarentena no Quênia gerou ceticismo entre especialistas em saúde pública. Amesh Adalja, pesquisador sênior do Centro Johns Hopkins para Segurança da Saúde, questionou a eficácia da medida, destacando potenciais desafios logísticos e éticos. A proposta ainda não foi aprovada pelo governo queniano, que não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. O surto na República Democrática do Congo foi declarado uma emergência de saúde pública de interesse internacional pela OMS, aumentando a pressão sobre governos e organizações para conter a disseminação do vírus. Enquanto isso, os EUA buscam alternativas para evitar a repetição de crises sanitárias como a enfrentada em 2014, quando o país registrou casos de ebola tratados em solo americano.