Café mineiro da Serra da Canastra quebra recorde mundial e atinge R$ 84 mil por saca
Um lote de café produzido na Serra da Canastra, em Minas Gerais, foi arrematado por R$ 84.750,42 a saca de 60 kg no leilão Cup of Excellence 2024, tornando-se o café mais valorizado do mundo. O feito supera grãos tradicionais da Etiópia e do Japão, destacando-se por seu perfil sensorial único e manejo artesanal. O produtor quase erradicou a lavoura por pressão de consultores, que recomendavam variedades mais comerciais.
O recorde histórico no Cup of Excellence 2024
Em dezembro de 2024, o leilão Cup of Excellence, organizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), registrou um marco inédito para a cafeicultura nacional. Um lote de café produzido na Serra da Canastra, em Minas Gerais, foi arrematado por R$ 84.750,42 a saca de 60 kg, valor que superou todos os recordes anteriores e colocou o Brasil no topo do mercado global de cafés especiais. O comprador, um grupo de importadores japoneses, destacou as notas complexas do grão, que incluem frutas amarelas, mel e uma acidez vibrante, características raras em variedades comerciais.
A trajetória de superação do produtor
A história por trás do café recorde revela os desafios enfrentados por pequenos produtores que buscam inovar em um mercado dominado por tradições centenárias. Durante anos, o produtor foi pressionado por consultores técnicos a substituir suas lavouras de 'cereja amarela' por variedades mais produtivas, mas de qualidade inferior. A decisão de manter os pés quase erradicados foi crucial para o sucesso atual. A altitude elevada da região, acima de 1.200 metros, aliada a técnicas de fermentação induzida, resultou em um grão de excepcional qualidade sensorial, reconhecido internacionalmente.
Impacto no mercado global de cafés especiais
O recorde alcançado pelo café mineiro não apenas consolida o Brasil como líder na produção de cafés especiais, mas também redefine os padrões de valorização no mercado global. Grãos tradicionalmente dominantes, como os da Etiópia e do Japão, foram superados em pontuação e preço, demonstrando que a inovação e o manejo artesanal podem gerar produtos de luxo mesmo em regiões não tradicionais. O feito também reforça a importância de apoiar pequenos produtores que investem em qualidade, em vez de priorizar apenas a produtividade em larga escala.