Santa Cruz de La Sierra se consolida como refúgio estratégico do PCC na Bolívia
Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público revelam que a cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra se tornou um dos principais refúgios para líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Integrantes da facção vivem em mansões, frequentam bares de luxo e utilizam a região como base para o tráfico internacional de cocaína, com proteção de autoridades locais.
Líderes do PCC vivem em luxo e impunidade na Bolívia
Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, voltou a ser foco de investigações após a prisão de Gerson Palermo, um dos chefes do PCC, em 26 de maio de 2026. A cidade é apontada como um refúgio estratégico para líderes da facção criminosa brasileira, que utilizam a região para operações de tráfico internacional de cocaína e para se protegerem da justiça brasileira. Segundo o promotor Gakiya, do Ministério Público, os criminosos vivem sem serem incomodados pelas autoridades locais, operando restaurantes, boates e residindo em condomínios de alto padrão. Entre os foragidos que vivem na cidade está Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como 'Mijão', 'Xixi' ou '2X', considerado o principal líder do PCC em liberdade. Documentos obtidos pelo Fantástico mostram que 'Mijão' já morou em pelo menos seis imóveis de luxo na cidade, com aluguéis que chegavam a quase R$ 30 mil mensais. Reportagens anteriores revelaram que integrantes do PCC levam uma rotina de aparente normalidade, frequentando pagodes e eventos sociais sem levantar suspeitas.
Bolívia como hub do crime organizado
As investigações indicam que Santa Cruz de La Sierra funciona como um 'hub' para o PCC, permitindo que a facção mantenha operações de tráfico de drogas sem interferência significativa das autoridades bolivianas. A cidade oferece uma combinação de infraestrutura favorável, corrupção local e proximidade com rotas de tráfico internacional, o que a torna ideal para criminosos brasileiros. Além disso, a impunidade na região facilita a lavagem de dinheiro e a proteção de líderes foragidos, como 'Mijão', que vive há mais de uma década na Bolívia sob identidade falsa.