Senadora de Berlim renuncia após fraude de R$ 14 milhões em verbas para combate ao antissemitismo
A senadora da Cultura e Coesão Social de Berlim, Sarah Wedl-Wilson, renunciou ao cargo após auditoria revelar distribuição irregular de cerca de R$ 14 milhões (€ 2,6 milhões) em verbas públicas destinadas a programas de combate ao antissemitismo. O secretário de Estado Oliver Friederici também foi demitido. O prefeito Kai Wegner aceitou a renúncia, destacando que Wedl-Wilson assumiu responsabilidade política e pessoal pelo caso.
Detalhes da fraude e investigação
Uma auditoria estadual concluiu que a distribuição de fundos públicos para 13 projetos culturais ocorreu de forma 'arbitrária' e 'claramente ilegal'. Os recursos foram destinados a partir de uma lista elaborada por legisladores do partido União Democrata Cristã (CDU), que integra a coalizão de governo, mesmo após alertas da equipe do escritório de cultura sobre a falta de avaliação adequada dos grupos beneficiados. Entre os projetos financiados estava um 'grupo de reflexão interdisciplinar', que recebeu € 390 mil. O Tribunal de Contas de Berlim destacou que a investigação se limitou ao processo de distribuição, sem avaliar a qualidade dos projetos.
Contexto político e repercussões
Sarah Wedl-Wilson assumiu o cargo em maio de 2025, sucedendo Joe Chialo, também da CDU, que renunciou após cortes em subsídios culturais. A renúncia de Wedl-Wilson foi vista como um desfecho esperado diante das investigações em curso. O prefeito de Berlim, Kai Wegner, afirmou que ela 'assumiu responsabilidade política e pessoal – por isso, merece respeito'. A fraude expõe falhas graves no processo de análise e seleção dos projetos, com indícios de influência política indevida na destinação dos recursos.