Governo do DF anuncia projeto de R$ 8 milhões para recuperar vegetação nativa do Rio Melchior
O governo do Distrito Federal lançou um projeto de recuperação da vegetação nativa do Rio Melchior, um dos mais poluídos da região, com investimento de quase R$ 8 milhões. A iniciativa prevê o plantio de 250 mil mudas de espécies do Cerrado ao longo de quatro anos, além da recuperação de nascentes e ações de educação ambiental em áreas como Ceilândia, Samambaia e Sol Nascente. O rio, que deságua no Rio Descoberto, abastece 60% da população do DF e foi alvo de uma CPI na Câmara Legislativa em 2025, que apontou falhas de fiscalização e responsabilizou órgãos públicos e empresas pela poluição.
Contexto e histórico da poluição
O Rio Melchior, localizado entre Ceilândia e Samambaia, é um dos afluentes mais poluídos do Distrito Federal. Sua contaminação afeta diretamente o Rio Descoberto, responsável pelo abastecimento de 60% da população da capital. Em 2025, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa investigou a situação do rio e apontou falhas na fiscalização por parte de órgãos como a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do DF), SLU (Serviço de Limpeza Urbana) e Adasa (Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF). Embora o relatório final tenha sugerido indiciamentos, a maioria dos deputados da comissão rejeitou os pedidos.
Detalhes do projeto de recuperação
O edital publicado pela Secretaria do Meio Ambiente do DF prevê um investimento de quase R$ 8 milhões para a recomposição da vegetação nativa em áreas degradadas ao longo do Rio Melchior. Segundo a engenheira ambiental Ilana Sarah, o projeto inclui o plantio de 250 mil mudas de espécies típicas do Cerrado e será executado ao longo de quatro anos. Além disso, estão previstas ações de recuperação de nascentes e programas de educação ambiental nas regiões de Ceilândia, Samambaia e Sol Nascente. O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) informou que, entre 2022 e fevereiro de 2026, foram realizadas 44 ações fiscais em áreas próximas ao rio, das quais 12 estavam diretamente relacionadas ao despejo irregular de resíduos e efluentes.
Impacto ambiental e perspectivas futuras
O agravamento da poluição no Rio Melchior ao longo das décadas transformou o que antes era um local de lazer e pesca em uma área crítica para o meio ambiente. Moradores mais antigos relatam que, na década de 1960, o rio era limpo e utilizado para atividades recreativas. O ativista ambiental Newton Vieira destacou a importância da recuperação do rio para a qualidade de vida da população local. O projeto do GDF busca não apenas restaurar a vegetação, mas também conscientizar a comunidade sobre a preservação ambiental, visando um impacto positivo a longo prazo.