Família Acolhedora: Serviço de lar temporário para crianças em risco cresce no Brasil, mas ainda é pouco difundido
O programa Família Acolhedora, que oferece abrigo temporário a crianças afastadas de seus pais biológicos, ainda é pouco conhecido no Brasil, apesar de ser prioridade legal em relação ao acolhimento institucional. Especialistas destacam que o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças é significativamente melhor em lares temporários, mas apenas 7% dos casos são atendidos dessa forma.
Como funciona o programa Família Acolhedora
O serviço de Família Acolhedora permite que crianças e adolescentes afastados de seus pais biológicos por situações de risco sejam acolhidos temporariamente por famílias cadastradas. O objetivo é evitar a institucionalização e proporcionar um ambiente familiar até que a situação com os responsáveis seja resolvida ou até que a adoção seja concluída. Alessandra Queiroz e Junior Carvalho, por exemplo, já acolheram cinco crianças, incluindo um bebê de 12 meses que chegou há quatro meses. "Sempre tive vontade de ajudar criança. Aí fui pesquisar", relata Alessandra. Segundo a legislação brasileira, o acolhimento familiar deve ser priorizado em relação ao institucional, mas apenas 7% das crianças em situação de risco são atendidas dessa forma.
Benefícios do acolhimento familiar em comparação com instituições
Especialistas apontam que o acolhimento familiar oferece vantagens significativas em relação ao institucional. O juiz Sergio Ribeiro destaca que estudos indicam um déficit cognitivo de quatro meses para cada ano de acolhimento em instituições, devido à divisão de atenção entre cuidadores e crianças. "Em um abrigo, você pode ter dois cuidadores para 20 crianças", explica. Já no acolhimento familiar, a criança recebe atenção individualizada, o que favorece seu desenvolvimento emocional e cognitivo. A promotora de Justiça Carina Flaks reforça: "A preferência é que a criança fique em uma família acolhedora e não em uma instituição por conta da individualização e do tratamento diferenciado."
Desafios e baixa adesão ao programa
Apesar dos benefícios, o programa Família Acolhedora enfrenta desafios para se consolidar no Brasil. Dados do Judiciário revelam que 93% das crianças e adolescentes afastados de seus parentes ainda vivem em instituições, enquanto apenas 7% são acolhidos por famílias temporárias. A falta de divulgação e o desconhecimento sobre o programa são apontados como principais barreiras. Alessandra Queiroz e Junior Carvalho, que já acolheram cinco crianças, destacam a transformação observada em uma menina que chegou tímida e insegura, mas evoluiu com amor e carinho. "Ela saiu daqui uma outra criança", conta Nikolas, filho do casal.