Justiça de SP derruba liminar e libera despejo de clube de várzea do Campo de Marte após concessão para parque municipal
A Justiça de São Paulo derrubou liminar que suspendia a desocupação do Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança, no Campo de Marte, e autorizou a reintegração de posse da área de 15 mil m². O clube, que ocupa o terreno há décadas, corre risco de despejo para viabilizar a construção do Parque Municipal Campo de Marte, projeto com investimento de R$ 202 milhões e concessão de 35 anos para o Consórcio Cântaro.
Decisão judicial e impacto no clube
A juíza Tamara Priscila Tocci, da 11ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, reconsiderou liminar concedida em 8 de maio e restabeleceu a ordem de desocupação do terreno ocupado pelo Grêmio Esportivo e Recreativo Cruz da Esperança. A decisão inicial, proferida em 26 de março, fixou prazo de 60 dias para saída voluntária do clube, com possibilidade de despejo forçado após esse período. A Prefeitura de São Paulo alega que a área é de uso público e precisa ser desocupada para a implementação do parque, cuja concessão foi assinada em 2025 com o Consórcio Cântaro, mesmo grupo responsável pela gestão do estádio do Pacaembu.
Atividades culturais e risco de perda
O Cruz da Esperança alerta que o despejo ameaça não apenas o futebol de várzea, mas também atividades culturais realizadas no local, como o tradicional 'Samba do Cruz', evento semanal que contribui para a sustentação financeira do clube. A concessionária havia proposto um acordo para saída voluntária, mas sem garantias claras de realocação ou manutenção das atividades. O clube ocupa o terreno há décadas e se tornou um ponto de referência para a comunidade da Zona Norte de São Paulo.
Projeto do Parque Municipal Campo de Marte
O futuro Parque Municipal Campo de Marte prevê investimentos de R$ 202 milhões e será administrado pelo Consórcio Cântaro por 35 anos. A Prefeitura afirma que a área precisa estar totalmente desocupada para ser repassada à concessionária, que planeja transformar o espaço em um complexo de lazer. O projeto faz parte de uma estratégia de concessões de áreas públicas para a iniciativa privada, visando modernizar equipamentos esportivos e culturais na cidade.