Auditoria revela explosão de referências falsas em artigos científicos por falhas de IA
Uma auditoria em 2,5 milhões de artigos biomédicos publicados desde 2023 identificou um aumento alarmante de referências bibliográficas fabricadas, atribuídas a falhas em programas de inteligência artificial. Em 2025, um em cada 458 artigos apresentava pelo menos uma citação falsa, proporção que saltou para um em cada 277 nos primeiros meses de 2026. Pesquisadores alertam para a contaminação da literatura científica e recomendam medidas urgentes para conter o problema.
Crescimento exponencial de referências falsas
Uma análise publicada na revista *The Lancet* por pesquisadores dos Estados Unidos, Israel e Finlândia revelou que o número de artigos científicos com referências bibliográficas fabricadas vem crescendo de forma acelerada. Em 2023, a proporção era de um artigo com citação falsa a cada 2.828 publicados na base de dados Pubmed. Em 2025, essa taxa subiu para um em cada 458 artigos, e nas primeiras sete semanas de 2026, atingiu um em cada 277. O estudo auditou 125.615.773 referências de 2.471.758 artigos, utilizando um sistema automatizado para detectar inconsistências.
Exemplos e características das 'alucinações' da IA
Os pesquisadores destacaram que as referências fabricadas não eram facilmente identificáveis como falsas. Elas eram específicas sobre os temas abordados, formatadas corretamente, atribuídas a autores reais e apresentavam datas de publicação plausíveis. Um caso extremo foi um estudo de 2025 sobre um procedimento urológico, no qual 18 das 30 referências citadas eram inexistentes. Maxim Topaz, cientista de dados da Universidade Columbia e um dos autores da auditoria, alertou que a contaminação da literatura científica por essas falhas é significativa e persistirá mesmo com melhorias nos modelos de linguagem.
Recomendações para conter o problema
Diante dos resultados, os autores do estudo sugerem que revistas científicas adotem medidas para enfrentar o problema, como a implementação de sistemas de verificação mais rigorosos. Topaz afirmou que as mais de 4 mil referências falsas identificadas não desaparecerão espontaneamente e que ações concretas são necessárias para preservar a integridade da produção científica.