Impacto gigante em Mercúrio espalhou água suficiente para formar gelo polar, revela estudo
Um estudo publicado no *Journal of Geophysical Research: Planets* aponta que um único impacto de cometa ou asteroide pode ter depositado toda a água encontrada nas regiões polares de Mercúrio. A pesquisa simulou o transporte e retenção de água após a colisão que formou a cratera Hokusai, com 97 km de diâmetro, e revelou que 22,4% da água liberada ficou aprisionada nas 'armadilhas frias' dos polos, equivalendo a cerca de 2,3 × 10¹³ kg de gelo.
Simulação do impacto e retenção de água
O estudo simulou o impacto de um objeto com aproximadamente 17 km de diâmetro, viajando a 30 km/s, que teria criado a cratera Hokusai. Menos de uma hora após a colisão, o vapor de água liberado envolveu completamente Mercúrio, formando uma atmosfera temporária e densa. Essa atmosfera protegeu parte do vapor da fotólise — a quebra de moléculas pela radiação solar —, reduzindo a perda de água de 96% (sem atmosfera) para 46%. Das moléculas restantes, 22,4% ficaram retidas nas regiões permanentemente sombreadas próximas aos polos, conhecidas como 'armadilhas frias'.
Mecanismos de proteção e distribuição da água
A pesquisa destacou que, sem a atmosfera temporária gerada pelo impacto, a maior parte da água teria sido destruída pela radiação solar. No entanto, a densidade da atmosfera criada pelo evento permitiu que uma quantidade significativa de vapor fosse preservada e distribuída pelo planeta. Os padrões de retorno do vapor de água, simulados para uma exosfera sem colisões, mostraram que a água se concentrou no hemisfério norte, com um pequeno aumento na direção antípoda da cratera Hokusai. A longitude subsolar no momento da simulação era de aproximadamente 0°E.