Artemis 2 Cruza a Magnetocauda Terrestre em Rumo à Lua
A missão Artemis 2, da NASA, deixou a órbita terrestre e entrou na magnetocauda, uma região pouco explorada do campo magnético da Terra. A cápsula Orion realizou uma manobra crucial de injeção translunar, impulsionando a tripulação em direção à Lua.
Trajetória e Monitoramento da Missão
Lançada na quarta-feira (1º de abril), a missão Artemis 2 prossegue em sua jornada rumo à Lua. Na quinta-feira (2), a cápsula tripulada Orion completou uma queima de injeção translunar de aproximadamente seis minutos, deixando a órbita terrestre. Com isso, a tripulação ultrapassou a proteção do campo magnético da Terra e entrou na magnetocauda, uma extensão do campo magnético planetário. A NASA intensificou o monitoramento da atividade solar devido aos riscos associados a esta região, que é dinâmica e instável, podendo liberar energia de forma violenta durante tempestades solares extremas, em um fenômeno chamado 'reconexão magnética'. A Lua também cruza a magnetosfera todos os meses, podendo gerar o 'vento de poeira lunar'.
Experiências da Tripulação e Registro de Imagens
Os astronautas Reid Wiseman, Victor J. Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen compartilharam suas experiências a bordo. O comandante Reid Wiseman descreveu a emoção de observar a Terra 'de polo a polo', enxergando continentes e luzes do norte. Jeremy Hansen destacou a sensação de flutuar em gravidade zero, descrevendo a experiência como 'extraordinária e muito divertida'. Victor J. Glover ressaltou o simbolismo da missão e a união da equipe. Christina Koch brincou sobre um problema com o banheiro da nave, orgulhando-se do título de 'encanadora espacial'. A tripulação utilizou iPhones e câmeras GoPro para registrar imagens da Terra e da missão. As primeiras fotos da Terra, obtidas após a manobra translunar, foram divulgadas, mostrando o planeta com detalhes de auroras e luz zodiacal. O Observatório SONEAR, em Minas Gerais, também registrou a espaçonave Orion.
Preparativos e Rotina a Bordo
A missão, com duração prevista de dez dias ao redor da Lua, envolve atividades como o treinamento de técnicas de ressuscitação em gravidade zero, por meio de massagem cardíaca, e a verificação de kits médicos. A tripulação planeja registrar momentos cruciais, como a aproximação mínima da Lua em 6 de abril. A nave Orion retornará à Terra com uma trajetória de livre retorno, utilizando a gravidade para redirecionar a espaçonave ao planeta, com pouso previsto no Oceano Pacífico, onde o escudo térmico suportará temperaturas de até 3 mil graus Celsius. A missão serve como teste para futuras viagens espaciais profundas, sendo o primeiro retorno à órbita lunar desde o programa Apollo.