Tartarugas-cabeçudas reaparecem em massa na Baía de Guanabara após anos de ausência
Biólogos registram aumento atípico de tartarugas-cabeçudas na Baía de Guanabara, especialmente em Magé (RJ). Projeto Aruanã inicia monitoramento e marcação dos animais em parceria com pescadores locais, utilizando técnicas tradicionais como o 'curral de peixe' para captura segura. Espécie não era vista em tal quantidade na região há anos.
Monitoramento e técnicas de captura
O Projeto Aruanã, que atua há 15 anos no monitoramento de tartarugas marinhas em Itaipu (Niterói), expandiu suas atividades para o litoral de Magé após registrar um aumento significativo de tartarugas-cabeçudas na Baía de Guanabara. A bióloga Larissa Araújo, coordenadora de campo do projeto, destacou a importância da parceria com pescadores artesanais para acessar e marcar os animais. "A gente já tem uma história de parceria com os pescadores artesanais em Itaipu e agora está ampliando para a Baía de Guanabara", afirmou. Em Itaipu, o projeto utiliza o arrasto de praia e equipamentos específicos para captura. Em Magé, a técnica adotada é o 'curral de peixe', uma estrutura fixa que funciona como um funil no mar. Os peixes entram por aberturas largas e ficam retidos em compartimentos, enquanto as tartarugas, por serem maiores, permanecem em áreas intermediárias, permitindo seu resgate sem ferimentos. "Não tem rede, não tem nada que machuque elas. Elas entram, se alimentam e a gente consegue observar e depois soltar", explicou o pescador João, que trabalha com a técnica há décadas.