Hôtel Lutetia: Da boemia parisiense à resistência antinazista em livro finalista do Women’s Prize for Nonfiction
O livro 'Hotel Exile', de Jane Rogoyska, reconstrói a história do Hôtel Lutetia, em Paris, que abrigou intelectuais refugiados do nazismo e se tornou símbolo de resistência durante a Segunda Guerra Mundial. A obra, finalista do Women’s Prize for Nonfiction, detalha como o hotel passou de ponto de encontro de artistas como Hemingway e Picasso a quartel-general de dissidentes alemães e, posteriormente, sede da temida Abwehr.
De refúgio artístico a centro de resistência política
Inaugurado em 1910 no bairro boêmio do Left Bank, em Paris, o Hôtel Lutetia rapidamente se tornou um ponto de encontro para figuras como Ernest Hemingway, Pablo Picasso, Henri Matisse e André Gide. Na década de 1920, o escritor James Joyce escreveu parte de 'Ulysses' em suas dependências. Nos anos 1930, o hotel transformou-se em refúgio para intelectuais alemães que fugiam do regime nazista, como o romancista Heinrich Mann, irmão de Thomas Mann. O grupo, apelidado pejorativamente de 'The Lutetia Crowd' pelos nazistas, organizava ações de resistência, como o envio de panfletos antinazistas disfarçados de pacotes de sementes de tomate e a distribuição clandestina de 'O Manifesto Comunista' reencadernado como literatura clássica.
Um símbolo multifacetado da história europeia
O livro de Jane Rogoyska destaca a dualidade do Hôtel Lutetia durante a Segunda Guerra Mundial. Após a ocupação nazista de Paris, o hotel foi convertido na sede da Abwehr, a inteligência militar alemã, mas também manteve seu papel como espaço de acolhimento. A obra explora como o estabelecimento encapsulou as contradições de uma Europa em guerra, servindo tanto como símbolo de opressão quanto de esperança para aqueles que lutavam contra o regime hitlerista.