Espanha ameaça retaliar Itália por restrições à livre circulação no Espaço Schengen
O governo espanhol anunciou que imporá represálias a viajantes italianos caso a Itália não suspenda até domingo (9) os controles de fronteira impostos a cidadãos espanhóis. A medida italiana foi adotada após a entrada em massa de migrantes em Ceuta, território espanhol no norte da África, e é considerada 'injusta e discriminatória' pela Espanha.
Contexto da crise migratória em Ceuta
A crise em Ceuta completou uma semana sem solução definitiva. Na última semana, milhares de migrantes entraram no território espanhol localizado no norte da África, em uma ação coordenada que as autoridades atribuem a redes de tráfico humano e campanhas de desinformação. O governo espanhol destacou que nenhum dos migrantes que chegaram a Ceuta conseguiu entrar livremente no Espaço Schengen, área de livre circulação da União Europeia.
Discordâncias na União Europeia
Durante reunião da UE sobre a crise migratória, Espanha e Itália divergiram sobre como lidar com os imigrantes. A Itália propôs o envio de imigrantes ilegais para centros de deportação em países terceiros, proposta à qual a Espanha se opôs. O comissário da UE para assuntos internos e migração, Magnus Brunner, afirmou que a UE resistiu à desinformação e atuou com rapidez e solidariedade, mas reconheceu que o continente teve sua 'resiliência desafiada'. A Dinamarca, durante a crise, criticou a Espanha e defendeu a suspensão do país do Espaço Schengen.
Reações e ameaças de retaliação
O governo espanhol classificou as medidas italianas como 'injustas, contrárias aos interesses da União Europeia e discriminatórias'. Em comunicado divulgado na sexta-feira (7), a Espanha exigiu a suspensão dos controles de fronteira até domingo (9), sob ameaça de impor represálias a viajantes italianos. A decisão italiana suspendeu temporariamente a livre circulação entre os dois países, prevista pelo Acordo de Schengen.