China avança em compromisso para comprar carne bovina brasileira livre de desmatamento
A China, maior importadora mundial de carne bovina, sinaliza disposição para pagar mais por cadeias de suprimento sustentáveis. Associação de Tianjin se compromete a adquirir 50 mil toneladas de carne bovina brasileira certificada e livre de desmatamento até o fim de 2026. Iniciativa representa cerca de 4,5% do total exportado pelo Brasil ao mercado chinês neste ano e desafia a percepção de que o país asiático prioriza apenas preços baixos.
Compromisso histórico e impacto no mercado
A Associação da Indústria de Carnes de Tianjin, liderada por Xing Yanling, anunciou a compra de 50 mil toneladas de carne bovina brasileira certificada e livre de desmatamento até o final de 2026. O volume corresponde a aproximadamente 4,5% das exportações brasileiras de carne bovina para a China neste ano. A iniciativa marca um avanço significativo, considerando que o mercado chinês é responsável por cerca de 40% das importações brasileiras do produto. A medida desafia a crença de que a China prioriza exclusivamente preços baixos, sem considerar critérios ambientais.
Sinais de mudança na política ambiental chinesa
O compromisso ocorre em um contexto de crescente pressão regulatória e ambiental por parte do governo chinês. Em 2019, a China alterou sua lei florestal para proibir o comércio de madeira ilegal. Em 2023, assinou um acordo conjunto com o Brasil para eliminar o desmatamento ilegal impulsionado pelo comércio. Além disso, a COFCO, empresa estatal chinesa de comércio exterior, assumiu o compromisso de eliminar o desmatamento de sua cadeia de suprimentos a partir do ano passado. Especialistas apontam que a carne bovina, por não ser tão essencial à dieta chinesa quanto a soja, pode ser um ponto de partida para ações mais concretas em sustentabilidade.