Lago Kivu na África se torna bomba-relógio geológica com potencial de explosão catastrófica
O Lago Kivu, localizado na fronteira entre a República Democrática do Congo e Ruanda, armazena cerca de 300 quilômetros cúbicos de dióxido de carbono e 60 quilômetros cúbicos de metano em suas profundezas. Especialistas alertam que uma erupção límnica, desencadeada por atividade sísmica ou vulcânica, poderia liberar gases letais e inflamáveis, colocando em risco milhões de vidas na região.
Risco de erupção límnica e comparação com tragédia histórica
O Lago Kivu é considerado uma bomba-relógio geológica devido à saturação de dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) dissolvidos em suas águas. Em 1986, o Lago Nyos, em Camarões, liberou uma nuvem de CO₂ que matou 1.800 pessoas, servindo como alerta para os perigos de lagos saturados de gases. No entanto, o Lago Kivu apresenta um risco ainda maior: além de CO₂, contém metano, um gás altamente inflamável. Enquanto Nyos liberou um volume relativamente pequeno de gás, Kivu armazena cerca de 300 km³ de CO₂ e 60 km³ de metano, sendo mais de mil vezes maior que Nyos.
Fatores de risco e vulnerabilidade da região
A localização do Lago Kivu em uma região tectonicamente ativa, sobre a fenda que separa a África Oriental do continente, aumenta o risco de uma erupção límnica. Abaixo do lago, rochas derretidas e gases sobem das profundezas, e o vulcão ativo Monte Nyiragongo, que já entrou em erupção várias vezes no último século, agrava a situação. A cidade de Goma, com população estimada em mais de 2 milhões de habitantes, está situada entre o lago e a cordilheira de vulcões, tornando-se altamente vulnerável. Qualquer abalo sísmico, intrusão de lava ou atividade humana pode romper o equilíbrio que mantém os gases presos nas camadas profundas do lago.